sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

UM DIA ENCONTRAREI VOCÊ, ONDE VOCÊ ESTIVER...

Esses versos eu fiz em homenagem à Míriam Santos, minha primeira namorada, já falecida. Ela foi o mais puro, o grande amor da minha vida. Que Deus a tenha!

Um dia encontrarei você, onde você estiver...

(by jan)



Se eu soubesse que existe vida

Além da morte,

Gostaria de poder morrer, agora

E encontrar você, querida, na eternidade,

Para, um dia, ter o prazer,

De dizer que, ao conhecer você,

Eu conheci a sorte!



Viver, assim, sem você,

Sem poder senti-la,

Sem poder revê-la,

Não é viver,

É nada poder,

É nada ter,

É muito pior do que não ter sorte,

É uma infelicidade total,

É muito mais do que a morte,

É para sempre atravessar o portal do céu,

Sozinho como me sinto agora...



Sem você, não há vida,

Sou e estou incompleto.

Sem a sorte, que era você,

Prefiro a morte!



Sem você, não sou mais nada,

Não sinto nada,

Não desejo e não quero mais nada

Sou um traste a espera da morte.



Sinto que minha hora está chegando

E com certeza, ainda, nos encontraremos,

Quando voltarei a ter a sorte, ao meu lado,

Ao estreitá-la em meus braços novamente.



Por isso, levarei sua imagem gravada em minhas retinas,

Tão logo as janelas da minha alma se fechem, para sempre,

Pois, quero reconhecê-la ao ingressar no paraíso,

Voltar a ser feliz, nessa hora e eternamente.

BUNDA NOSSA DE CADA DIA...

Certa vez, ao conversar com uma amiga, pelo telefone, ela me disse que não acreditava no que acabara de ler: Tratava-se de um comentário esdrúxulo sobre um poema de Drumonnd onde ele falava sobre bunda o que para ela era um “sacrilégio”. Foi então que me perguntou se eu seria capaz de lhe fazer um poema em que eu falasse sobre bunda. Claro, eu disse que não! Afinal, eu nunca fui um poeta. Apenas brinco com as palavras e, às vezes, faço algumas rimas pobres, só para me distrair, disse-lhe, mas que confessava que o convite havia me causado um desafio. Que eu apenas prometia fazer uma brincadeira, uma sátira, uma paródia ou algo parecido. Que ela não pensasse que eu seria capaz de fazer um poema, ainda mais sobre um tema difícl, falar sobre uma coisa tão gostosa como bunda de mulher! Foi, por isso, que fiz essa coisa aí embaixo. Meus amigos, por favor, perdoem-me!



Bunda nossa de cada dia...

(uma apologia aos seios)

(by jan)



Tem bunda boa na praça,

Uma preferência nacional,

Tem bunda saltando da calça,

A melhor bunda que há,

Para muitos a principal.

Tem bunda pra toda gente,

Bunda que é uma graça,

Mas que de graça não é não,

É penetrante, excitante e quente

E nos embala o coração.

Tem aquela bunda empinada,

Que provoca e dá tesão,

Mas atingi-la que nada!

É nela que mora o tal de "cú" ladrão

Tem bunda que em certa hora

Muda de nome e nos implora,

Tem bunda que bate palma

E atiça a nossa alma.

Tem, também, bunda arriada

Que finge não querer nada

E, por isso, é tão desprezada.

Esta eu chamo pneu furado.

Tem bunda branca e bunda preta,

Que bom!

Tem bunda pra todo lado,

Tem bunda pra todo mundo,

Tem bunda mole e bunda seca, inexistente,

Bunda que se esconde da gente

Bunda que não abunda ,

Não suporta ser olhada,

Mas é gostosa, ardente e profunda.

Se a bunda não fosse atrás

Fosse na frente,

O que seria de nós, pobres mortais?

Olhá-la! Nem discretamente!

Diga-me: Quem seria capaz?

Tem bunda pra todo gosto,

Bunda pra todo tipo,

De setembro a agosto,

Esperar, para vê-las, até eu fico!

Permita-me, contudo, oh! Entendido,

Foi para eles meu olhar primeiro,

Por favor, não fique ofendido,

Desde o berço os admiro,

Beijo-os, sugo-os, neles eu deliro!

Vendo-os fico sempre embevecido!

São eles o que mais desejo,

São eles o que mais prefiro!

Que bunda que nada meu camarada!

Muito mais gostoso que ela

É o seio da mulher amada.

Nele, toda vida encontrei,

A razão dos meus encantos

E o prazer que sempre almejei.

A eles, dedico meus cânticos

E acredite, todos os meus devaneios

E quando me perguntam,

Se gosto de bunda, respondo:

Gosto é verdade, gosto muito,

Mas gosto muito mais dos seios!

São eles que me excitam,

São eles que a blusa permeiam,

São eles que vejo primeiro,

São eles que guloso anseio,

São eles que alucinado beijo...

COMO PODERÁS ME ENTENDER...

Como poderás me entender...

(by jan)

Sou um cidadão do mundo, por tê-lo conhecido, através de minhas viagens, quando oficial da Marinha Mercante, ao tripular navios cargueiros e de pasageiros de luxo (transatlânticos). Nelas, aprendi a enfrentar a vida, sozinho, errando ou acertando, sem receios. Por isso, sou simples, discreto, gozador, romântico, emotivo, mas desligado das coisas materiais. Prefiro viver, bem à vontade, despido de vaidades, longe do supérfluo, em meu sítio, em Santa Bárbara do Monte Verde, M.G., próximo da natureza, de sua imensa beleza e exuberância, onde sinto a presença constante de Deus, sou um noviço espiritualista, é quando posso exercitar o que mais gosto de fazer: escrever.

ACORDO MÓRBIDO SEGUIDO DE APELO...

Acordo mórbido, seguido de apelo...

(by jan).



Fizemos um acordo eu e a morte, nem ela me persegue, nem eu fujo dela. Combinamos assim: Um dia, queira Deus esteja bem distante, a gente se encontre e se, de forma alguma não for possível ser diferente, for inevitável, então que seja para sempre, mas sem dor e nenhum sofrimento, que dê tempo para que meus familiares e amigos, aqueles que verdadeiramente me amam e me respeitam, localizem a gravação de minhas duas músicas prediletas: “Adios” na magistral interpretação da orquestra de Gleen Miller e “Apenas um coração solitário” na interpretação mágica de Freddy Gardner que, até hoje, após tantos anos de sua morte, continua sendo o maior, o único e inesquecível, saxofonista do mundo, um virtuose. Ao encontrá-las, toquem-nas durante o meu velório de cremação, tantas e quantas vezes forem necessárias, até o término do funeral. À minha viúva, peço que reúna meus amigos, numa creimônia, no meu sítio Berebecá (nome que escolhi para homenagear meu grande amigo, meu padrasto, cognome que usou quando foi goleiro do clube de futebol Marcílio Dias, em Santa Catarina, na década de 30) e na base do pedestal da minha âncora, ao por do sol, espalhe as minhas cinzas. Tudo isso, feito com muita alegria e muita risada, porque tenham certeza, todos, a minha vida, depois de algumas decepções, passou a ser uma brincadeira constante e, portanto, minha morte deverá ser motivo de satisfação e alegria, para os que estiverem presentes, ao prestar-me a última homenagem. Quero chegar ao Paraíso, porque acredito na existência de Deus, sou um noviço espiritualista, sorrindo e lá encontrar, aqueles que foram meus verdadeiros amigos: meu grande, único e verdadeiro amor; minhas ex-mulheres, sensíveis e delicadas criaturas, que apesar do pouco tempo que conviveram comigo, adoçaram minha vida para sempre; minha mãe; meu pai; meu padastro; todos os meus parentes; meus filhos; minhas adoradas filhas e meu cãozinho júnior, meu grande e verdadeiro amigo, doce companheiro de todas as horas, minha sombra querida, que me concedeu a honra do seu amor, puro, inocente, gostoso, confiável porque não conheceu dólar (rsrsrs!). Levo-os, todos, gravados na janela da minh'alma, em minha retina, para poder reencontrá-los na eternidade, os que já se foram e aqueles que um dia irão.

Se algum dia alguém conseguir encontrar uma filha, que tive com uma gaúcha chamada Sônia, ela foi gerada na noite, do dia, em que o Presidente Kennedy foi assassinado, ou se ela um dia me procurar, afinal para Deus nada é impossível (ela ainda deve morar na Dinamarca) digam-lhe que levo comigo a vergonha e o remorso de não ter podido tê-la ao meu lado e de quanta vontade senti, durante todos esses anos, de estreitá-la em meus braços, enquanto pude, porque mesmo distante eu a amei, acreditem! Ela, quando criancinha era a sósia da Saninha. Peço perdão à Sônia pelas palavras duras que lhe disse, quando soube que nascera nossa filha. Hoje, apesar de na época ser muito jovem, reconheço que fui um covarde! Não tinha o direito de dizer-lhe o que disse. Perdão!

AMANDO-A NO CREPÚSCULO...

Amando-a no crepúsculo...

(by jan).



Olhe a noite minha querida.

Sinta-a com toda a sua emoção,

Nem que seja só hoje minha vida.

Veja-a como só os poetas a vêem,

Na beleza de um amor eterno.

Preste atenção meu amor!

Pois acontecerá na sua presença,

Num piscar dos seus olhos,

O flerte dela com o crepúsculo,

Silenciosamente, acima da montanha,

Onde se põe o sol a procura da lua.



Ouça-me, com atenção!

Quando o dia morrer

E o ruído da metrópole quase desaparecer.

Eles estarão fazendo amor

Sobre a cidade e, assim, permanecerão,

Até o amanhecer.



Será neste momento, lindo, único,

De bela manifestação da mãe natureza,

Quando, privilegiadas testemunhas, nos tornaremos

Que pedirei ao crepúsculo que, com sua luz suave,

Conceda-me a suprema inspiração,

De fazê-la minha rainha, nesta noite,

Para que eu componha um soneto

E nele relembre a beleza

Dos seus olhos minha musa.



Se ele me atender, meu anjo.

Sussurrarei então, em seus ouvidos, ternas palavras

E em meus versos, transbordarei meu coração,

Ao envolvê-la na suavidade de minhas carícias.



Juntos, sob o crepúsculo, à noite e o luar,

Abraçados admiraremos a grandeza do universo

E contaremos, no céu, as estrelas cadentes

Que a cada segundo, penetrarem o espaço em fogo,

Enquanto faremos nossos pedidos, nossos juramentos.



Conversaremos, então, como amantes sonhadores,

Nos tocaremos em êxtase,

Falaremos de todo o nosso desejo,

Da nossa coragem de viver esse sonho bom,

Aquecendo-nos, no calor de nossos beijos,

Na paixão que envolverá nossos corpos ardentes.



No toque de nossas bocas

E línguas sedentas,

Trocaremos nossas salivas,

Nos permitiremos sentir a força do nosso amor,

Como se fossemos os únicos

A encontrar o amor em tudo,

Exatamente como fazem a noite e o crepúsculo,

Que são para nós, os poetas, os primeiros amantes.



Poderemos ficar, como eles,

Presos um no outro, num gozo infinito,

Voando para fora de nós mesmos, como num sonho,

Até que a noite e o crepúsculo se beijem outra vez.



Ah amor meu, somente meu!

Deixe-me vê-la sob a luz desse luar

Como o crepúsculo vê e ama a noite,

Mostrar porque viveremos,

Nesse momento mágico,

O amor de uma vida longa,

Cantando-o como numa serenata

E nesse arrebatamento, transformar em séculos,

Nossas horas, minutos e segundos,

Para que possamos, para sempre, estar juntos,

Como fazem a noite e o crepúsculo,

Ligados desde sempre e eternamente.

ECOS DE AMOR NO TEMPO...

Ecos de amor no tempo.

(by jan).



Se duzentas vidas eu tivesse

E contigo todas as duzentas vidas eu vivesse,

Não haveria quem, nossa felicidade, impedisse,

Se a este imenso amor eu sobrevivesse.



Mas se este amor não resistisse,

Viver, duzentas vidas, plenamente,

Certamente, Deus, aos teus encantos, permitisse,

Seduzir-me definitiva e eternamente

ODE AOS MEUS AMORES E A VIDA...

Ode aos meus amores e a vida...
(by jan)

Agora que o meu fim está próximo,
Já que a vida nada mais é
Que um grande palco iluminado,
Preparo-me para esse acontecimento,
O momento mais importante,
O fechamento da cortina onde brilhei
Quando terei um único instante, o da verdade.
Farei um esforço para, ao menos desta vez, ser fiel,
Ao relatar, sem sofismas, todo o prazer que senti,
A você, minha querida, nessa folha de papel,
Para quem contarei a minha história.
Eu vivi momentos de uma vida plena
E nela, sempre, fui feliz a minha maneira.
Do que não tive ou não fiz, jamais reclamei.
Se não fiz, foi porque não pude ou impediram
Porque tudo que desejei eu obtive,
Quando não consegui foi porque algo eu evitei.
Não dei um passo que não fosse pensado,
Antes analisado e até mesmo premeditado.
Por isso, tenho certeza, não mereço perdão.
Nem o teu nem de ninguém.
Mas o que é um homem se não tudo o que ele faz
O que ele cria e não o que ele tem.
Se não foi ele mesmo quem fez,
Se ele apenas não fez nada,
Então ele não é nada, não é ninguém,
Para dizer as coisas que ele pensa ou sente.
Sua palavra não vale nada, nem um vintém,
É de quem se ajoelha se agacha.
A minha história, minha amada,
Você a encontrará nas letras que desenhei
E nelas você verá se realmente desejar
Que é tudo diferente do que você e todos pensam,
Pois mostrarei ao mundo também e não somente,
Todos os carinhos e pancadas que tomei da vida,
Pois tudo isso que revelarei será meu testemunho,
De que tudo que eu fiz, fiz porque quis.
Como pode ela agora exigir de mim o impossível,
Querer ser a primeira, a única, ou a última,
Se, antes dela, tantas outras existiram
E continuarão a existir, assim espero,
Sobrevivendo envoltas em minhas túnicas,
Correndo em meu sangue, dando-me vida,
A vida que sempre desejei, sempre quis,
Porque é só assim que agora posso querê-las,
Amando-as apenas na minha saudade,
Por minhas memórias agora alimentadas.